Empreitada de alimentação artificial, proteção e reabilitação do sistema costeiro natural da duna dos Caldeirões

A Polis Litoral Norte encontra-se presentemente a executar a “Empreitada de alimentação artificial, proteção e reabilitação do sistema costeiro natural da duna dos Caldeirões”, localizada nas freguesias de Vila Praia de Âncora e Âncora, ambas em Caminha, cujo inicio ocorreu a 29 de Abril de 2021 e tem como data prevista para conclusão o mês de Outubro de 2021.

 

Com um valor global de investimento de aproximadamente 1,6 milhões de Euros, com financiamento assegurado a 75% pelo POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos e 25% assegurado pela Polis Litoral Norte através de protocolo celebrado com a DGRM – Direção Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, a empreitada em causa foi pensada e desenhada tendo em conta os fenómenos de erosão costeira e fluvial que se sentem na foz do rio Âncora e na Duna dos Caldeirões e tem como objetivo principal a execução de trabalhos para manutenção e reposição das condições naturais do ecossistema costeiro que assegurem a reposição e reforço do sistema de proteção e defesa da linha de costa, bem como dos volumes de areia do cordão dunar, contribuindo assim para a segurança de pessoas e bens, visando a prevenção de risco.

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Assim a empreitada pretende rematar um conjunto de intervenções já realizadas pela Polis Litoral Norte naquele importante ecossistema desde o ano 2014, sendo esta última fase constituída pelas seguintes ações:

 

  • alimentação artificial de areias na duna dos Caldeirões, a partir da dragagem de mais de 100.000 m3 de areias que se encontram em excesso no portinho de Vila Praia de Âncora, sendo de relevar que esta constitui a maior operação de desassoreamento daquela infraestrutura portuária alguma vez já executada, contribuindo assim para um decisivo crescimento e regeneração da Duna dos Caldeirões, dotando-a de uma maior capacidade de resiliência face aos processos erosivos. Adicionalmente, e ainda que com volumes de areias muito inferiores, a alimentação artificial será também complementada com a transferência de sedimentos da "zona em curva” do leito do rio Âncora, no tardoz da Duna dos Caldeirões.

 

  • Reconstituição e reforço adicional da Duna dos Caldeirões, apoiada numa solução de intervenções mistas de obras de reforço no seu núcleo, através da implantação de núcleos resistentes com recurso a geotubos cheios de areia, que irão conferir uma maior capacidade de resistência em eventuais situações limite como a verificada aquando da tempestade Hércules, que levou na altura ao rompimento integral deste importante cordão dunar. Concretamente, será feito o enchimento com areia de 3 geotubos colocados paralelamente à linha de costa e ao eixo da gola da duna (avançado, central e recuado) que constituirá desta forma um núcleo de consolidação do eixo do cordão dunar, sendo depois feita a deposição da areia para recobrimento destes geotubos e para fortalecimento dessa estrutura dunar, pretendendo-se unir em termos altimétricos, tanto quanto possível, os cordões dunares existentes a norte e sul da Duna dos Caldeirões.

 

  • Execução de alargamento do canal do rio Âncora no tardoz da Duna dos Caldeirões, a fim de permitir uma maior capacidade de escoamento e redução das velocidades de escoamento, complementado com intervenções de bioengenharia na consolidação e estabilização da sua margem esquerda e de recuperação e valorização ambiental, atendendo à recorrência fenomenológica e à resiliência do meio.

 

  • Construção de um novo passadiço sobreelevado, para permitir o acesso ordenado à praia localizada imediatamente a sul da Duna dos Caldeirões, assim como a construção de paliçadas, contribuindo assim estas duas acções para a minimização do pisoteio indevido daquele ecossistema.

 

  • Revestimento dunar, através da plantação de ammophila arenaria ssp. Australis por toda a área dunar, a fim de aumentar a sua fixação e resiliência.

Importa ainda salientar que, pelas características técnicas da própria empreitada, a mesma não pôde ser iniciada antes de meados do mês de Abril 2021, uma vez que a escavação para a colocação dos geotubos e a operação de dragagem são trabalhos que não podem ser executados, em adequadas condições de segurança, durante o final do Outono / Inverno / início da Primavera, uma vez que as condições climatéricas e do mar desfavoráveis que ocorrem frequentemente nessa altura aumentam consideravelmente a probabilidade de ocorrência de acidentes que conduzam à destruição dos trabalhos em execução, aos quais estarão associados impactes ambientais negativos e também sobrecustos incomportáveis na empreitada.

 

Tendo em conta que a empreitada tem que ser executada de forma contínua, que uma eventual suspensão dos trabalhos acarretaria sempre problemas dos rendimentos físicos e financeiros da obra, mas reconhecendo a importância do turismo nas freguesias onde se está a executar a empreitada, estão a ser adotadas todas as medidas com vista à minimização da afetação da presente época balnear, sendo que a obra está a ser acompanhada permanentemente por uma Equipa de Fiscalização multidisciplinar e pela Capitania do Porto de Caminha, bem como pela Polícia Marítima e Serviços da Autarquia de Caminha.

 

Neste contexto, realça-se que se reduziu ao mínimo a área ocupada pela empreitada, pelo que a zona da praia que está vedada à população não incide sobre a área concessionada da praia de Vila Praia de Âncora / “Praia das Crianças”, fica afastada desta, e será restrita à área mínima possível para possibilitar a execução dos trabalhos em segurança, quer para as pessoas envolvidas na empreitada quer para todos os frequentadores das praias de Vila Praia de Âncora e Âncora. Na zona da praia concessionada apenas está colocada a tubagem de transporte dos sedimentos dragados, desde o portinho de pesca até à zona de intervenção, que opera a apenas 2 bar de pressão, não constituindo assim qualquer perigo para as pessoas. Não obstante, esta tubagem foi enterrada e devidamente sinalizada, pelo que se considera que a afetação será mínima e reduzida ao impacto visual no atravessamento da foz do rio Âncora, onde se revelou impossível proceder ao seu enterramento.

 

Tentar-se-á, na medida do possível e pelo maior espaço temporal durante a época balnear, garantir um corredor pedonal perfeitamente seguro entre a praia concessionada de Vila Praia de Âncora e a praia concessionada da Gelfa, para o trânsito de pessoas de forma longitudinal à praia.

 

Apela-se assim à compreensão dos utilizadores destes espaços durante a presente época balnear, uma vez que estamos a trabalhar no sentido de proporcionar melhores condições futuras para todo este importantíssimo ecossistema costeiro.

Veja a planta do plano geral de intervenção aqui